Artigo: Piloto automático mental e o foco no agora


A mente possui um “piloto automático”, uma função que nos permite executar algumas atividades motoras sem muita concentração. O seu principal propósito é a economia de energia do cérebro, para as diversas atividades diárias. Na prática, enquanto estamos aprendendo alguma habilidade motora, como andar de bicicleta, precisamos estar com a mente consciente 100% focada, e gastamos muita energia para coordenar tudo o que é necessário. Porém, quando forma-se a mestria na mente subconsciente, é possível executar a atividade motora sem a participação direta da mente consciente, ou seja é executada subconscientemente, e assim ocorre a economia de energia. Por isso, conseguimos andar de bicicleta sem prestar total atenção nas ações motoras, como no movimento das pernas ou no equilíbrio necessário, enquanto ouvimos música ou estamos envolvidos em nossos pensamentos.

Quando a mente está no “piloto automático”, agindo subconscientemente, ou distraída, é comum que a consciência seja tomada por uma enxurrada de pensamentos, de vários tipos. Surge um fluxo constante que é gerado a partir de impulsos externos ou internos, especialmente os que contém maior carga emocional. É tão intenso que a mente não para de pensar nem quando estamos dormindo.

Esse fluxo de pensamentos que surge desse estado “distraído”, normalmente está em 3 condições: no passado, no futuro ou imaginando algo (fantasiando). Quem nunca esteve de corpo presente mas com a mente em outros lugares?

Porém, apesar de ser uma função fundamental da nossa mente, podemos ficar tanto tempo nesse estado de “piloto automático”, que vamos aos poucos perdendo a habilidade de foco e concentração, ou ainda de permanecer no momento presente. E essa falta de “presença no agora” prejudica muito a nossa percepção sobre estímulos externos e internos, o que literalmente rebaixa o nosso nível de consciência sobre as pessoas, situações, sobre nós mesmos, e consequentemente, sobre a vida. Existe um filme chamado “Click”, com Adam Sandler, que serve como uma excelente metáfora sobre esse processo e as suas consequências.

Em outras palavras, a compulsão por usar o “piloto automático”, nos deixa tão distraídos e perdidos em nossos pensamentos, geralmente no passado, futuro ou em fantasias, que não vivenciamos plenamente o presente, o agora. Além disso, a falta de presença prejudica habilidades de concentração, interpessoais, de controle emocional e de memória.

Para que a mente foque no agora e com consciência, é necessária uma boa dose de atenção plena. Por exemplo, para se escovar os dentes não é necessário ter atenção plena, e com isso a mente devaneia entre pensamentos diversos enquanto os dentes são escovados. Mas para se ler um livro é necessária atenção plena e concentração. E muitas vezes manter essa concentração por muito tempo pode ser bem desafiador, especialmente para quem opera predominantemente no “piloto automático”. Quem nunca teve que voltar algumas linhas ou parágrafos, porque a mente devaneou para outros pensamentos?

Pois o desenvolvimento dessa capacidade de presença, de permanecer no agora e manter o foco na mente consciente, é totalmente desenvolvível. Na verdade, podemos dizer que mindfulness é uma musculação para o “músculo da atenção”, ou “músculo do agora”, porque de fato também existe um desenvolvimento físico, na criação de novas sinapses voltadas para essa habilidade específica, a capacidade da presença consciente.

A partir dessa capacidade, outras habilidades também podem ser alcançadas com mais facilidade, como a capacidade de concentração, de controle emocional, criatividade e sensibilidade. Porém, a principal delas certamente é o desenvolvimento do “Eu observador”, que acontece no Self, o nosso eu central (centro da consciência) de acordo com psicologia junguiana. Trata-se da habilidade de observar os pensamentos, sensações e comportamentos que surgem a partir dos estímulos externos ou internos que sejamos submetidos, proporcionando assim uma maior consciência sobre nós mesmos e sobre o nosso próprio mundo.

Para alcançar esse objetivo, as práticas mindfulness são as mais indicadas. Leia mais sobre os benefícios terapêuticos de uma mente que consegue se manter no presente, e como o mindfulness pode ajudar com isso. CLIQUE AQUI

Texto: Júlio César de Castro Ferreira

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